A visibilidade internacional que o Brasil está prestes a alcançar, em virtude de sediar as duas maiores competições esportivas do mundo, faz com que o governo federal incentive melhorias infra-estruturais nas cidades que servirão de palco para o show do futebol mundial em 2014 e para os jogos olímpicos em 2016.  Sendo uma das cidades mais populares do mundo e arena principal para disputas esportivas nos próximos anos, o Rio de Janeiro já começa a passar por transformações viárias em pontos estratégicos para facilitar o acesso às regiões, encurtando viagens e melhorando a qualidade do transporte público. Se normalmente andar de ônibus em alguns trechos da cidade é tarefa heróica, que requer tempo e paciência, imagine com a presença de turistas do mundo inteiro? Novas alternativas no sistema viário da capital carioca já começam a aparecer e é claro, o mercado imobiliário figura nas próximas cenas.

A prefeitura do Rio, em parceria com o Governo Federal, lançou o projeto “Corredor T5”, um espaço exclusivo de ônibus com 28 km, ligando o bairro da Penha à Barra da Tijuca. Serão construídos terminais de linha, passando por vários outros bairros importantes como Madureira, Jacarepaguá, entre outros. Pelo corredor circularão nove linhas, expressas e paradoras. De acordo com dados da prefeitura, haverá redução de 51% no tempo de viagem. Hoje os passageiros gastam, em média, 96 minutos para cruzar o trecho e com o corredor, serão cerca de 47 minutos. O objetivo do projeto é aumentar a demanda de usuários de ônibus, com transporte do tipo articulado, comportando até 160 passageiros e ainda com possibilidade de redução das tarifas.

É evidente que uma obra urbana desse porte gera necessidade de alocar espaços já ocupados por imóveis, fato que, conseqüentemente gera  necessidade de utilizar prática legal, comum nesses casos: a desapropriação. Apesar da novidade não ter agradado proprietários e moradores do entorno, em detrimento da não intenção imediata de vender ou desocupar seus imóveis, as conseqüência originadas da ação prometem esquentar ainda mais o mercado da cidade. O arquiteto e empresário Arlyson dos Anjos, diretor da credenciada AG Rio Imóveis, com sede localizada em um dos bairros por onde o corredor vai passar, enxerga o projeto de maneira positiva para a cidade e para suas áreas de atuação. “Esse projeto é a concretização da Barra da Tijuca como principal centro comercial da cidade, que ainda sofre com o acesso viário sobrecarregado pela falta dos demais meios de transporte”, observa.

Na opinião do empresário, especificamente o mercado imobiliário local será um dos setores mais beneficiados com as mudanças. “O corredor incentivará a procura por novos lares por parte das famílias e proprietários afetados, além do aumento do interesse comercial na região, direcionando o crescimento da cidade para a zona oeste” destaca o empresário. Estima-se que milhares de imóveis terão que ser desapropriados gerando um custo aos cofres municipais em torno de R$ 150 milhões de reais. Mas, por outro ângulo, analisado por Arlyson, esse inconveniente e desconforto em desalojar famílias, reflete de maneira prosaica no mercado de imóveis. “O procedimento vai lançar diretamente ao mercado mais de 1.500 compradores a procura de novos lares, transformando o negócio nas regiões por onde o sistema T5 passará”, revela. Mas ainda é cedo para grandes resultados.

A Prefeitura municipal anunciou no início do ano, no Diário Oficial, a relação dos imóveis que serão desapropriados e provocou corre-corre de pessoas atrás de informações e especulação do valor de mercado de seus atuais e futuros lares. “À medida que forem sendo pagas as indenizações, haverá uma corrida ainda mais intensa em busca de imóveis, podendo haver supervalorização repentina pelo aumento de procura. Devemos nos preparar”. A prefeitura ainda está lançando um edital da licitação para o cadastramento dos imóveis que serão desapropriados, para posteriormente informar o valor avaliado para indenização. De acordo com informações já divulgadas, o valor total disponibilizado para indenização será distribuído, após avaliação, entre os proprietários dos imóveis afetados. “Antes dessa etapa, o mercado nas regiões “cortadas” terá poucos resultados, afinal os proprietários provavelmente vão aguardar o pagamento da indenização para investirem em novos imóveis. Mas já estamos prontos para auxiliar moradores, aqueles que pagavam aluguel nos imóveis contidos na lista de desapropriação, para que já encontrem novas moradias”, destaca Arlyson dos Anjos.

Ainda segundo o diretor, ele e outros empresários do setor atuam com cautela e atenção nesse início, para agirem com eficácia nas próximas etapas. “Estamos atuando com calma e atenção, procurando saber se o imóvel procurado pelos clientes consta na relação dos desapropriados. Outra ação preparatória é o cadastramento de clientes que receberão indenizações, para uma futura aquisição”, conclui. Cerca de 3.630 imóveis darão lugar às 36 estações (seis duplas), dois terminais (Alvorada e Penha) e 13 pontos de integração. A previsão é que tudo ocorra até 2014.

Por Aline Viana