O número de lançamentos imobiliários no Rio de Janeiro apresentou um crescimento de 16,5% em 2009, na comparação com o ano anterior, de acordo com pesquisa da Associação de Dirigentes do Mercado Imobiliário (Ademi Rio). Foram lançados 14.036 imóveis contra um total de 12.048 em 2008. A pesquisa mostra um aquecimento do setor imobiliário no segundo semestre do ano passado, impulsionado pelo Programa Minha Casa, Minha Vida e pela recuperação do mercado após a crise do ano retrasado. O crescimento do mercado imobiliário em geral é um reflexo da retomada econômica. Nós tivemos um tropeço em 2008, mas em meados de 2009, o setor tomou fôlego novamente. Acredito que este ano o número de lançamentos supere 2009 em até 20% – afirma o vice presidente da Ademi, Rodrigo Conde Caldas.

Na área residencial, Campo Grande foi o bairro que recebeu o maior número de unidades, somando 2.654 unidades. Jacarepaguá ficou na segunda posição, com 2.605 e, em terceiro, ficou a Barra da Tijuca, que havia liderado o ranking em 2008 e registrou 828 novas unidades no ano passado. Dentre os bairros que não recebiam lançamentos há mais de cinco anos, Benfica, Bangu e Parada de Lucas foram contemplados com 92, 192 e 440 novos imóveis, respectivamente. Outro bairro que chama a atenção é Irajá, que em 2007 havia tido 260 unidades e voltou a crescer em 2009, com o lançamento de 548 residências. Já São Cristóvão participa com constância da pesquisa desde 2006, sendo que, no ano passado, o bairro recebeu 812 novas unidades residenciais. Como já vinha acontecendo nos últimos anos, a Zona Sul apresentou número pouco expressivo de lançamentos voltados para moradia, ainda que seja a região mais atrativa da capital carioca, por conta da falta de terrenos. Entre 2004 e 2009, o bairro da região que concentrou o maior número de empreendimentos foi Botafogo, com uma média de 294 lançamentos por ano, sendo 344 em 2009. Nenhum outro bairro de aproximou deste patamar.

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Desde o anúncio da criação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), o mercado imobiliário da Tijuca tem se tornado mais atraente, revela reportagem do Globo nesta segunda-feira. Esse cenário está ainda mais animador com a iminência da ocupação pela Polícia Militar, prevista para esta semana, nas comunidades do Borel, da Casa Branca, da Formiga, da Indiana e da Chácara do Céu – como mostrou reportagem do globo no domingo . Segundo Lavor Luiz, delegado do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci-RJ) no bairro, os imóveis podem valorizar até 30%.

Para Rubem Vasconcellos, diretor da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro (Ademi-RJ), a segurança pública é um fator determinante para a compra de imóveis. “Os imóveis na Tijuca estavam com um preço muito baixo, aquém do normal, devido às notícias da guerra do tráfico na região. Agora, os valores estão começando a voltar à normalidade com a notícia da implantação das UPPs. Quando se oferece mais segurança, o aumento das vendas é quase imediato “, ressalta Vasconcellos.

Outro ponto lembrado pelo diretor da Ademi é que o tijucano se orgulha do local onde mora e, salvo exceções, quer se manter na região. “Todos os prédios lançamos na Tijuca têm tido liquidez, e o comprador é o próprio tijucano. É um bairro que tem autoestima. Famílias nasceram, foram criadas e ficaram por lá. Poucos lugares do Rio de Janeiro têm isso”. Em 2009, quatro empreendimentos foram lançados na Tijuca, sendo um comercial e três residenciais.

O efeito da instalação de UPPs em favelas é a valorização quase imediata de imóveis em seu entorno. Pesquisa do Sindicato da Habitação (Secovi) constatou uma valorização de até 148,89% nos valores de locação e de 59,41% nos de venda de imóveis em bairros beneficiados por UPPs na Zona Sul, como mostrou o globo no sábado.

Fonte: O Globo

A visibilidade internacional que o Brasil está prestes a alcançar, em virtude de sediar as duas maiores competições esportivas do mundo, faz com que o governo federal incentive melhorias infra-estruturais nas cidades que servirão de palco para o show do futebol mundial em 2014 e para os jogos olímpicos em 2016.  Sendo uma das cidades mais populares do mundo e arena principal para disputas esportivas nos próximos anos, o Rio de Janeiro já começa a passar por transformações viárias em pontos estratégicos para facilitar o acesso às regiões, encurtando viagens e melhorando a qualidade do transporte público. Se normalmente andar de ônibus em alguns trechos da cidade é tarefa heróica, que requer tempo e paciência, imagine com a presença de turistas do mundo inteiro? Novas alternativas no sistema viário da capital carioca já começam a aparecer e é claro, o mercado imobiliário figura nas próximas cenas.

A prefeitura do Rio, em parceria com o Governo Federal, lançou o projeto “Corredor T5”, um espaço exclusivo de ônibus com 28 km, ligando o bairro da Penha à Barra da Tijuca. Serão construídos terminais de linha, passando por vários outros bairros importantes como Madureira, Jacarepaguá, entre outros. Pelo corredor circularão nove linhas, expressas e paradoras. De acordo com dados da prefeitura, haverá redução de 51% no tempo de viagem. Hoje os passageiros gastam, em média, 96 minutos para cruzar o trecho e com o corredor, serão cerca de 47 minutos. O objetivo do projeto é aumentar a demanda de usuários de ônibus, com transporte do tipo articulado, comportando até 160 passageiros e ainda com possibilidade de redução das tarifas.

É evidente que uma obra urbana desse porte gera necessidade de alocar espaços já ocupados por imóveis, fato que, conseqüentemente gera  necessidade de utilizar prática legal, comum nesses casos: a desapropriação. Apesar da novidade não ter agradado proprietários e moradores do entorno, em detrimento da não intenção imediata de vender ou desocupar seus imóveis, as conseqüência originadas da ação prometem esquentar ainda mais o mercado da cidade. O arquiteto e empresário Arlyson dos Anjos, diretor da credenciada AG Rio Imóveis, com sede localizada em um dos bairros por onde o corredor vai passar, enxerga o projeto de maneira positiva para a cidade e para suas áreas de atuação. “Esse projeto é a concretização da Barra da Tijuca como principal centro comercial da cidade, que ainda sofre com o acesso viário sobrecarregado pela falta dos demais meios de transporte”, observa.

Na opinião do empresário, especificamente o mercado imobiliário local será um dos setores mais beneficiados com as mudanças. “O corredor incentivará a procura por novos lares por parte das famílias e proprietários afetados, além do aumento do interesse comercial na região, direcionando o crescimento da cidade para a zona oeste” destaca o empresário. Estima-se que milhares de imóveis terão que ser desapropriados gerando um custo aos cofres municipais em torno de R$ 150 milhões de reais. Mas, por outro ângulo, analisado por Arlyson, esse inconveniente e desconforto em desalojar famílias, reflete de maneira prosaica no mercado de imóveis. “O procedimento vai lançar diretamente ao mercado mais de 1.500 compradores a procura de novos lares, transformando o negócio nas regiões por onde o sistema T5 passará”, revela. Mas ainda é cedo para grandes resultados.

A Prefeitura municipal anunciou no início do ano, no Diário Oficial, a relação dos imóveis que serão desapropriados e provocou corre-corre de pessoas atrás de informações e especulação do valor de mercado de seus atuais e futuros lares. “À medida que forem sendo pagas as indenizações, haverá uma corrida ainda mais intensa em busca de imóveis, podendo haver supervalorização repentina pelo aumento de procura. Devemos nos preparar”. A prefeitura ainda está lançando um edital da licitação para o cadastramento dos imóveis que serão desapropriados, para posteriormente informar o valor avaliado para indenização. De acordo com informações já divulgadas, o valor total disponibilizado para indenização será distribuído, após avaliação, entre os proprietários dos imóveis afetados. “Antes dessa etapa, o mercado nas regiões “cortadas” terá poucos resultados, afinal os proprietários provavelmente vão aguardar o pagamento da indenização para investirem em novos imóveis. Mas já estamos prontos para auxiliar moradores, aqueles que pagavam aluguel nos imóveis contidos na lista de desapropriação, para que já encontrem novas moradias”, destaca Arlyson dos Anjos.

Ainda segundo o diretor, ele e outros empresários do setor atuam com cautela e atenção nesse início, para agirem com eficácia nas próximas etapas. “Estamos atuando com calma e atenção, procurando saber se o imóvel procurado pelos clientes consta na relação dos desapropriados. Outra ação preparatória é o cadastramento de clientes que receberão indenizações, para uma futura aquisição”, conclui. Cerca de 3.630 imóveis darão lugar às 36 estações (seis duplas), dois terminais (Alvorada e Penha) e 13 pontos de integração. A previsão é que tudo ocorra até 2014.

Por Aline Viana